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Agronegócio e o oásis de prosperidade

A economia brasileira vem sofrendo muito desde o momento em que entrou tecnicamente em recessão, no segundo trimestre de 2014. Estamos vivendo a maior crise econômica da história do país e caminhando em terreno instável, com aceleração bem abaixo do que a necessária para modificação do panorama relacionado à confiança dos empresários e das famílias.

No cenário externo, também há muita incerteza. O FMI projetou expansão da economia global em 3% para 2019, a menor taxa desde a Grande Crise Financeira, acelerando para 3,4% em 2020. A desaceleração da economia mundial tem como principais causas a contração da indústria de transformação, puxada pelo menor crescimento do investimento corporativo e do comércio internacional. Além da guerra comercial entre EUA e China, agora estamos acompanhando o confronto bélico entre os EUA e o Irã.  O fato é que há bastante nebulosidade sobre como o mundo desenvolvido resolverá questões geopolíticas e como lidará com o desafio de repensar as políticas de estímulo ao consumo, na medida em que são previstas desacelerações nos crescimentos da China e Índia.

Por aqui, em Terra Brasilis, precisamos reconhecer melhorias recentes na economia: fechamos o ano com juros e inflação baixos.  Basta lembrar quem em 2016 nossa taxa SELIC era de 14,25%a.a. e agora estamos com 4,50% a.a. É esperado que os novos patamares de nossa TLP (Taxa de Longo Prazo) estimulem investimentos na economia real ao invés do direcionamento de recursos de capital especulativo para financiamento do governo. E no tocante à inflação, apesar de os vilões feijão branco e carioca, no início do ano, e carne, no final do ano, terem ocasionado a extrapolação da meta anual de inflação, que era de 4,25%, fechamos em 4,31% o ano de 2019, o que é aceitável.  Não custa lembrar que na década de 80 nossa inflação superava a casa dos 80% ao mês.

Uma reflexão que podemos fazer é:  até que ponto é interessante uma estabilidade em que a inflação e os juros são baixos, mas o PIB cresce pouco e o desemprego não cede? O IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada projeta expansão de 2,3% para o PIB em 2020. Mesmo que essa projeção se confirme, o PIB brasileiro fecharia o próximo ano abaixo do patamar atingido no início de 2014. Isso significaria conviver com mais um ano de desemprego elevado, receitas tributárias contidas, pouca confiança para consumo das famílias e baixo apetite para investimentos de parte do empresariado.

Apesar de todo esse cenário tempestuoso, é possível constatar que o Brasil vai muito bem no agronegócio. Em 2020 o Brasil pode se tornar o maior produtor mundial de soja, superando os EUA, caso se confirme a safra recorde de grãos com 243,2 milhões de toneladas. O VBP – Valor Bruto da Produção Agropecuária encerrou 2019 com 2,6% de crescimento em relação ao ano anterior, com R$ 630 bilhões, um recorde considerado o horizonte temporal de 1989 até agora. Em 2020 a previsão é de o VBP cresça 7% em relação a 2019.  No sistema cooperativo não é diferente, dados da OCB – organização das Cooperativas Brasileiras dão conta de que são mais de 1 milhão de associados e quase 210 mil pessoas empregadas no setor. As cooperativas do agro paranaense são referência e devem ter fechado o ano de 2019 com faturamento acima de R$ 74 bilhões.

Como se não bastassem essas boas notícias oriundas do agronegócio, em 1º de outubro de 2019 o Poder Executivo editou a Medida Provisória nº 897, que institui o Fundo de Aval Fraterno e dispõe o patrimônio de afetação de propriedades rurais. A expectativa é de que a chamada ¨MP do Agro¨ proporcione redução de custos operacionais e melhoria da qualidade das garantias oferecidas pelos produtores rurais; maior segurança aos concedentes de crédito e, como consequência, gere potencial para simplificar e ampliar o acesso a recursos financeiros por parte dos proprietários de imóveis rurais.

O Brasil deixou de ser um importador líquido de alimentos para tornar-se um dos maiores exportadores da economia global e a MP 897 pode fortalecer ainda mais esse setor com o fundo de aval solidário, a cédula imobiliária rural e também o chamado patrimônio de afetação, que permitirá ao proprietário de imóvel rural desmembrar sua propriedade para dar como garantia em operações de crédito.

No oásis do agronegócio, o Brasil deixou de ser um importador líquido de alimentos para se posicionar com um dos maiores exportadores da economia global. 

*Rodrigo Casagrande é diretor da RCA Governança & Sucessão, tem Doutorado em Administração de Empresas, com estágio de seis meses na Universidade de Montreal e é professor convidado nos MBA da FGV Management, onde ministra a disciplina Governança Corporativa.

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