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AGRONEGÓCIO: BOAS NOTÍCIAS E OUTRAS NEM TANTO

Rodrigo Casagrande

Como a vida nos ensina, é preciso estarmos preparados para as oportunidades e sermos resilientes nas dificuldades. Na realidade do agronegócio as relações comerciais imitam a vida, com suas instabilidades e necessidade de busca por alternativas para se manter em pé. Vejamos algumas notícias que demonstram isso.

A ciclotimia da carne bovina enquanto produto de exportação

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Acompanhamos a disparada das cotações da carne bovina no comércio internacional com a China, no final de 2019. Foram momentos de euforia para a indústria frigorífica brasileira, que via o seu produto ser negociado com margens batendo em 20%.

Porém, apesar do mercado chinês ainda sentir a restrição na oferta de carne suína, o país asiático promoveu uma série de renegociações nos contratos com o Brasil e nossos frigoríficos já se deparam com margens negativas nas vendas para o seu maior cliente, sendo que o contratos negociados estão chegando, na melhor das hipóteses, a margens até 9%. Por outro lado, boas notícias para o agronegócio: os EUA reabriram no dia 21 de fevereiro o mercado para a carne bovina in natura brasileira. Este mercado estava fechado para o Brasil desde junho de 2017, quando se apurou um lote de carnes com abscessos (pus), provavelmente gerados pela aplicação da vacina contra o vírus da febre aftosa.

Acordo China e EUA

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Outras notícias relevantes para o agronegócio são aquelas que tratam sobre o acordo entre China e Estados Unidos. Será que este acordo afetará muito o agronegócio brasileiro? Esse é um assunto que precisa estar no radar, na medida em que a China comprou US$ 26 bilhões de soja do Brasil em 2019 e esse é hoje o carro-chefe na pauta de exportação do nosso país.

A gripe suína, que destruiu o rebanho chinês, já havia derrubado as vendas de soja, utilizada como ração naquele país. Com o acordo entre EUA e China, há o comprometimento do gigante oriental comprar US$ 40 bilhões de dólares em produtos agropecuários dos ianques nos próximos dois anos.

Isso significa que exatamente no ano em que devemos superar os EUA e nos tornarmos os maiores produtores de soja do planeta, precisaremos conviver com essa desvantagem competitiva gerada pelo acordo. O Painel Macroeconômico IBRE – FGV aponta que ¨o maior valor anual já exportado pelos EUA para a China de produtos agropecuários foi de US$ 29 bilhões em 2013¨.

Resolução 4327 e os efeitos no crédito para o agronegócio

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Um agricultor obteve empréstimo de R$ 1.000.000,00 no Banco Santander. Até aí tudo bem. Ocorre que o tomador plantou soja e milho em uma APA – Área de Proteção Ambiental da Amazônia.  O Ibama, em trabalho conjunto com o Ministério Público, autuou e resultado foi uma multa de 47.500.000,00 imputada ao Santander.

A Resolução 4327/2014, do BACEN, passou a corresponsabilizar as instituições de crédito no caso de danos socioambientais gerados por clientes tomadores de recursos. Isso já tem como consequência um maior rigor nas fases que antecedem a concessão do crédito e após o valor ser liberado. Para os bancos e cooperativas, o risco de crédito deixa de ser meramente financeiro e passa a ser social a ambiental.

Nesse contexto, cada vez mais, ganhará força o conceito do triple bottom line, de John Elkington. Este conceito prevê que as organizações precisam ser ambientalmente corretas, socialmente justas e economicamente viáveis. Isso ocorrerá por conscientização ou por regulamentações cada vez mais severas, como é o caso da Resolução 4327.

Rodrigo Casagrande é diretor da RCA Governança & Sucessão, doutor em Administração de Empresas e incentivador de diálogos sobre as oportunidades para o agronegócio brasileiro.

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